
Apetecia-me escrever, abri a agenda da minha mãe para tirar a caneta que lá tinha guardada e, coicidência ou não, vi a foto que marcou o nosso começo. Eu e tu, junto ao mar, ainda hoje me lembro do que sentia naquela altura.
Desde aí, muita gente passou pela minha vida, muitos com falsas promessas, com muito bláblá mas poucas provas do que diziam. Porque é que tudo tem de ser assim? Porquê um "adoro-te" na primeira semana, se nem sequer tenho um espaço reservado no teu coração? Porquê tantos beijos, abraços e carinhos, se ainda pensas em coisas do passado, mesmo sabendo que não podes voltar atrás? Pergunto-me se será fixação, teimosia, ou algo pior, algo em que prefiro não pensar, mesmo sabendo que se não o fizer vai ser pior para mim, e apenas para mim, para mais ninguém a não ser eu.
Às vezes dou por mim a levantar os pés da terra vezes demais, e lá diz o ditado que "Quanto maior é a altura, maior é a queda". Eu sei disso, e continuo a arriscar. Podem chamar-me de parva, eu prefiro chamar-me de ingénua, sempre fica melhor.
O que vale é que acabo por aprender sempre alguma coisa. Cada vez perco mais a confiança das palavras, dos abracinhos, dos beijinhos, mãos dadas e festinhas no pescoço. Vou-me tornando fria aos poucos, sem me aperceber e sem o querer fazer. Se calhar é melhor assim. Afinal, se eu soubesse controlar o meu coração e não o deixasse levar para caminhos que eu penso conhecer mas que aos poucos se vão revelando cada vez mais perigosos, como se de um labirinto se tratasse, não me magoava tanto.
O que mais me preocupa é que existem pessoas por aí que dizem que adoram, amam e faziam qualquer coisa pela outra pessoa quando nem sequer sentem aquele friozinho na barriga, as saudades de um simples olhar, tocar ou ouvir... Quando penso nisso, as lágrimas apoderam-se logo dos meus olhos, e fazem com que a minha visão fique nublada, como está neste momento. E uma lágrima neste pedaço de papel representa tanta coisa. Mas principalmente pena, sim, pena. A pena que tenho destas pessoas, por nunca terem conhecido um amor verdadeiro, um sentimento que parece não caber cá dentro, quando uma palavra basta, quando um olhar diz tudo, quando uma expressão vale por mil palavras e o silêncio não incomoda. Quando não se tem medo de olhar nos olhos e dizer "amo-te", quando não se tem vergonha de dizer com um sorriso nos lábios "esta é a minha namorada", quando andar de mão dada é um orgulho e não uma obrigação, quando o tempo passado a ouvir a respiração da outra pessoa é recompensador e quando ver a outra pessoa dormir a nosso lado sabe melhor que um refresco numa tarde quente de Verão.
No fim de contas, o que eu peço é apenas sinceridade. Tão simples como expressar em palavras e actos aquilo que se sente, só e somente. Nada mais. Para quê mais? Para que serve mais, se não é verdadeiro? Vale a pena andar com rodeios quando o que se quer dizer é um "não gosto assim tanto de ti?" Para quê andar a iludir com falsos discursos e promessas de vida feliz, quando o final dessa história é o fim do que nem sequer chegou a ter princípio? No fim eu pergunto, valerá mesmo a pena?
Susana Rosado
(voltei a sentir vontade e necessidade de escrever :$)